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14 de dez de 2010

Crianças do Século XXI

As crianças de hoje surpreendem pela sua incrível capacidade de
lidar com engenhocas tecnológicas. Assustam adultos de mais de
trinta anos que sentem algum desconforto frente ao computador, a
botões e máquinas eletrônicas sofisticadas.

Os garotos da atualidade assistem em tempo real ao que ocorre em
locais distantes de onde se encontram e estão habituados a
conquistas científicas.

Tudo isso leva pais a se considerarem ultrapassados, endeusando os
filhos ou considerando-os verdadeiros gênios.

Por mais que ajam com certa autonomia, as crianças de hoje, como as
de ontem, têm necessidade dos adultos para lhes dizer o que fazer e
o que não fazer.

Os pequenos gênios fazem birra, esperneiam e até fazem greve para
conseguirem o que desejam.

Precisam de um basta que interrompa sua diversão com o game quando a
hora é a da refeição, do banho ou da escola.

Necessitam receber não para regular a sua rotina e sua saúde.

Precisam de disciplina. E disciplina se faz com limites.

É um erro tratar as crianças simplesmente como cérebros ansiosos
por mais e mais conhecimentos.

Elas necessitam de experiências afetivas, motivo pelo qual não
podem dispensar as brincadeiras com outras crianças.

Assim como elas precisam da imposição dos limites pelos adultos,
necessitam dos conflitos com seus amiguinhos para aprenderem a se
relacionar com pessoas e coisas.

O mundo necessita de homens capazes de amar, de respeitar o
semelhante, de reconhecer as diferenças, de pensar, muito mais do
que de gênios sem moral, frios e calculistas.

A ciência, sem sentimento, tem causado males e tragédias.

Preocupemo-nos, pois, em atender a busca afetiva dos nossos filhos.
Permitamos que eles convivam com outras crianças, que criem
brincadeiras, usando a sua criatividade.

Busquemos ensinar-lhes, através da experiência diária, os
benefícios do afeto verdadeiro, abraçando-os, beijando-os,
valorizando seus pequenos gestos, ouvindo-os com atenção.

A criança aprende o que vivencia. O lar é a primeira e fundamental
escola. É nele que se forma o homem de bem que ampliará os
horizontes do amor, nos dias futuros. Ou o tirano genioso que pensa
que o mundo deve girar ao seu redor e somente por sua causa.

* * *

Mesmo a criança considerada um gênio precisa de cuidados
elementares para crescer emocionalmente.

Para se tornar, de fato, uma pessoa com capacidade de criar, produzir
e desfrutar junto com os outros, a criança precisa de afeto.

As crianças de hoje não amadurecem emocionalmente mais rápido do
que as de antigamente.

Elas continuam a ter medo do desconhecido, a se alegrarem com
pequenas coisas, a se sentirem infinitamente tristes pela perda de um
animal de estimação.

São todas experiências importantes para a formação e o
aprendizado emocional do ser humano, devendo ser valorizadas em todos
os seus detalhes.

Redação do Momento Espírita com base em artigo

intitulado Cérebros e corações para o Século XXI,

do jornal Gazeta do povo de 2 de janeiro de 1999.

Em 20.07.2010.

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