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24 de jan de 2012

A esperança nunca morre

O asilo de idosos recebeu naquela manhã mais uma senhora.
Chegou calada, sentou-se em uma cadeira de rodas e mergulhou em
lágrimas. O semblante traduzia a desesperança e a mágoa pelo
abandono.
Notava-se que o seu único intuito era aguardar a morte. Parecia que
a sua volta tudo já morrera, igualmente.
Foi então que um jovem, que costumava visitar os idosos com
regularidade, se aproximou.
Tentou conversar. Mas ela se mantinha calada, num protesto mudo de
rejeição aos homens que a haviam deixado ali. Longos suspiros
escapavam do seu peito e as lágrimas rolavam, silenciosas.
O rapaz brincou, perguntou e insistiu. Ela não conseguiu resistir.
Sorriu e acabou por contar a triste história de sua vida.
Fora uma mulher muito rica. Com o marido, administrava sete fazendas.
Com a morte dele, ela assumira os compromissos, ao tempo que cuidava
da única filha.
Quando a filha se casou, estranhamente foi se acercando da mãe.
Começou a se interessar pelos negócios. Depois, foi a vez do genro.
Tarefas divididas. Esforços somados.
Ela pensava em como tudo, um dia, deveria ficar para a filha e os
netos. Talvez ela, em sua velhice, pudesse realizar algumas viagens
que nunca se permitira.
Aos setenta e dois anos, por insistência da filha, passou-lhe uma
procuração, concedendo-lhe amplos poderes.
Fora seu erro. Em plena posse de tudo o que um dia seria seu por
direito, a filha aliou-se ao marido e, em doloroso processo,
conseguiu que a mãe fosse declarada incapaz.
Por fim, a colocaram naquele asilo, sem recursos. Não era para
morrer de desgosto? - Concluiu a senhora.
O jovem, reconhecendo nela os valores da liderança, da capacidade de
trabalho, lhe falou do quanto ela poderia enriquecer outras vidas.
Ela era uma pessoa com experiência administrativa. Por que não se
dispor ao trabalho naquela instituição, auxiliando o serviço de
voluntários e funcionários?
Por que não reunir aqueles idosos todos, sem esperança, e lhes
falar da terra, de grãos, produção, gado, semeaduras?
Afinal, muitos deles vinham do campo e, com certeza, gostariam de
ouvir sobre o que fora a tônica das suas vidas, por um largo tempo.
Ela ouviu, ouviu e aceitou a ideia.
Levantou-se da cadeira de rodas onde se jogara e começou a agir. Sua
filha e seu genro lhe haviam usurpado os bens, arrancando-lhe as
possibilidades de viver como desejasse. Mas não podiam lhe destruir
as conquistas interiores.
Ela tinha valor e esse valor podia ser usado em prol de outros
desesperançados.
Ergueu-se, sacudiu a poeira da mágoa e começou a fazer sol em
outras vidas, inundando-se de luz.
* * *
Se você está triste porque foi abandonado, lembre-se dos que nunca
tiveram família, lar e afetos.
Se você está magoado porque lhe feriram, não permita que isso
destrua o restante da sua vida.
Ninguém lhe pode tirar as conquistas realizadas, os talentos
conseguidos e a imensa capacidade de amar que temos todos nós,
Espíritos imortais, filhos de Deus.

Redação do Momento Espírita.
Em 24.01.2012

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