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31 de dez de 2013

Casos de Chico: Razão e necessidade

Muita gente procurava o Chico em seu emprego e isto começou a causar-lhe problemas. Certa vez, uma senhora em adiantado estado de perturbação foi procurá-lo. O chefe não queria que ele atendesse ninguém em seu ambiente de trabalho e foi dito à senhora que o Chico estava em casa. Para lá se dirigiu ela, sendo informada de que o Chico estava trabalhando. Voltou novamente ao emprego e disseram que o nosso amigo saíra a serviço. Ela resmungou qualquer palavrão e se foi. À noite, quando as portas do Centro se abriram, ela avançou sobre ele e deu-lhe inúmeros bofetões no rosto. Quando acabou de desabafar através da agressão, falou com voz nervosa e trêmula: - "Está pensando que tenho tempo para andar atrás de você para cima e para baixo? E, agora, já para aquela sala que você vai me dar um passe... cachorro..." A senhora sentou-se numa cadeira e ficou esperando. Chico começou a pensar: "Senhor Jesus, para se transmitir um passe precisamos estar calmos, com o coração voltado para o amor do próximo. O Senhor sabe todas as coisas e sabe que não estou com raiva dela, mas ela me deixou num estado meio diferente. Ajude-me Senhor". Então, o espírito de Emmanuel lhe aparece e diz : - "Para ajudá-la é preciso alcançar-lhe o coração. Converse com ela". E o Chico, para a irmã em sofrimento: - "Minha irmã, a senhora me perdoe ser uma pessoa tão ocupada. Não pude atendê-la em meu emprego porque meu chefe não permite. A senhora compreende... estou ali para servir a empresa, que me paga. Não posso perder aquele serviço porque tenho muitos irmãos para ajudar". Foi conversando... conversando, e a mulher se acalmando, para em seguida começar a chorar. O Chico, então transmitiu-lhe o passe e ela foi devolvida à razão. Depois de sua saída, o médium perguntou ao espírito de Emmanuel: - "Emmanuel, eu não estou com a razão?" A resposta foi esta jóia de caridade cristã: - "Você está com a razão, mas ela está com a necessidade." No outro dia, quando o Chico chegou ao serviço, estava com o rosto todo inchado. Seu chefe indagou o que ocorrera. - "Bati na porta." Ele então olhou-o por sobre os óculos e perguntou novamente: - "Mas... dos dois lados?"

(Extraído do livro "Chico, de Francisco" - Adelino da Silveira - Editora Cultura Espírita União)

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